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sexta-feira,
12 de março de 2010 >>
Dia
triste para os quadrinhos brasileiros
A
Garimpo Editorial presta homenagem ao cartunista Glauco,
que "fazia humor urgente em estado bruto"
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Todo mundo já deve ter visto uma tirinha
de Glauco Villas Boas, o Glauco, aquele dos traços
rápidos, das bolas de sorvete flutuantes
do Geraldinho, criador do Geraldão, da Dona
Marta, do Zé do Apocalipse, do Doy Jorge.
O paranaense, que abriu mão da faculdade
de Engenharia para trabalhar com o humor em quadrinhos
e como redator de programas da televisão,
como o TV Pirata, foi assassinado a tiros na madrugada
desta sexta-feira, em casa. O filho de 25 anos também
morreu.
Todos os sites de informação e blogs
deram a notícia do assassinato chocante do
cartunista. Em menos de 12 horas, seis dos dez assuntos
mais falados no Twitter eram |
sobre
a tragédia. Colegas e amigos de Glauco manifestaram
sua dor: "Todo mundo está muito chocado. Para
todos os cartunistas, foi uma grande referência",
lamentou Caco Galhardo, colega da seção
de tirinhas da Folha, em entrevista ao portal G1. Arnaldo
Branco, outro grande quadrinista, afirmou: "Sempre
ficava impressionado como o cara falava abertamente de
sexo e drogas ainda na vigência da censura, velada
que fosse. Fazia humor urgente, em estado bruto."
A nova geração também está
indignada. O autor da Garimpo Editorial e cartunista da
Folha de S. Paulo, João Montanaro, deu seu depoimento
via Twitter: "Quando eu era criança, copiava
todos os desenhos do Glauco. Fiz o Doubli pensando em
algo como o Geraldinho e o Calvin."
De acordo com informações do advogado da
família Ricardo Handro, dois homens invadiram a
casa do cartunista por volta da meia-noite. Glauco e a
mulher teriam sido agredidos várias vezes. Ele
teria convencido os bandidos a levá-lo, aparentemente
para sacar dinheiro, deixando a mulher e os filhos em
casa. Quando saía, o filho Raoni chegava ao local.
No portão, ao ver o pai sangrando e com uma arma
apontada, houve discussão com os assaltantes, que
atiraram e mataram pai e filho. Glauco foi velado ainda
na sexta-feira em sua igreja, a Céu de Maria, da
doutrina do Santo Daime. |
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