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segunda-feira,
22 de março de 2010 >>
Novos rumos para o mercado editorial
Apesar do crescimento da digitalização no mercado editorial, novas casas publicadoras, como a paulista Garimpo, mostram que, com criatividade e foco, há espaço para o jeito tradicional de produzir literatura
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A resposta é que pequenos detalhes podem fazer a diferença. Certo dia, os amigos Gregory Pek e Elaine dos Santos chegaram a uma conclusão: o caminho para a realização de um sonho antigo seria montar uma editora. Ali nascia a Garimpo. “Sentíamos a necessidade de publicar um tipo de literatura que ajudasse as pessoas a reler o mundo por meio de novas lentes, além do óbvio, que realmente fizesse a diferença na vida do leitor”, conta Gregory Pek, publisher da Garimpo Editorial.
Foi com esse conceito em mente que os dois reuniram uma equipe qualificada para, inicialmente, publicar uma revista, e depois passar à produção de livros. Mas os caminhos do |
mercado se revelaram diferentes, e com menos de um ano de existência, a editora deve fechar o catálogo do primeiro semestre com cerca de trinta títulos.
Sem perder sua filosofia de trabalho, a Garimpo trabalha de maneira eclética, publicando títulos de autores consagrados lá fora, como o jornalista Christopher Hitchens e o adadêmico Douglas Wilson (O cristianismo é bom para o mundo? ― Um debate), o filósofo francês Jacques Ellul (Anarquia e cristianismo, com lançamento previsto para abril), além de dar espaço para novos talentos, como o jovem brasileiro João Montanaro, que aos 13 anos já produz tiras e charges para o Grupo Folha de S. Paulo. Além disso, a editora já colocou na rede a versão de apresentação da revista multiplataforma RELEITURA (www.revistareleitura.com.br), que logo ganhará uma versão impressa.
Fatos que provam que o espaço existe, basta buscá-lo. Julio Daio Borges, editor do site Digestivo Cultural, um dos blogs de cultura mais acessados do país, analisa a chegada de novas editoras de maneira positiva: “Acredito que o mercado está em linha com a ‘democratização’ da publicação promovida pela internet. Acredito que, quanto mais vozes tivermos, melhor estará representada a nossa sociedade”.
Juliana Vieira, profissional especialista em marketing, que atua em livrarias na capital paulistana, acredita que o mercado consegue absorver novas editoras, e que novidades são bem-vindas. “Mesmo com tantas livrarias e editoras no mercado brasileiro, nossa população ainda é carente em relação a cultura”, avalia. “Creio que, com a chegada de mais editoras, a leitura possa ser mais acessível.”
Mas como será apresentar um projeto diante de um mercado que tem a tendência de olhar mais para os best sellers? “Sempre há uma resistência na chegada, que estamos derrubando rapidamente, pois com menos de um ano demos um salto imenso em pedidos para distribuição, além de conseguirmos bastante espaço na mídia, com os nossos livros”, acrescenta Elaine dos Santos, também publisher da Garimpo.
“Nossa expectativa a médio prazo é formar um catálogo de autores nacionais e internacionais bastante coerente e de muito conteúdo.”
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